segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"E" e "E cortado"

eis a imagem: by Vanessa Komatsu




Sobre pertencer
Não à alguém.
Mas a algum lugar.
Não lugar fictício.
Lugar físico.

E sobre o não pertencer
Exatamente por não ser fixo.
Por nunca ter se fixado de fato
Por não querer se fixar a lugar algum

Vamos colecionando pessoas,
línguas, sotaques, gírias, costumes.
Culturas diferentes, cores de pele diferente, amores diferentes.
São jeitos de falar, educação, lógicas diferentes.

São tempos de pensamento e de ação muito diferentes.
São preguiças diferentes.

São medos e receios, são coragens e enfrentamentos 
São maturidades, discussões, assuntos, modas diferentes
Depende do lugar em qual você se aloca..

Mas e quando de tanto mudar
você não se sente pertencendo a lugar algum?
Quando as saudades se cruzam e quando muito, se dissolvem?
Impossível rever todos que se tem saudade.

A saudade se ameniza com o tempo..
Questão de sobrevivência. Porque a saudade dói.

Mas e essa sensação forte de não pertencer a lugar algum?
Mesmo conhecendo parte e sentindo-se parte de muitos lugares?

Afinal, se viveu. 
Foi vivido coisas em certos lugares, muitas coisas, por sinal.
São lugares, cheiros, cores.

São céus, nuvens, cor de azul diferente.
A cor da terra, a secura, as chuvas, as ruas.

Cada lugar com sua peculiaridade

Somos sempre pedaços.
De várias coisas desde que ainda estamos na barriga da mãe.
Pedaços de comentários tentando acertar qual o nosso sexo, qual será a nossa cara, do pai ou da mãe.
Pedaços de músicas que se coloca pra ouvirmos, pra mãe sentir um leve chute e ficar feliz.
Pedaços de infinitas pessoas, as quais convivemos as vezes até apenas segundos da nossa existência, as vezes menos que isso, em um rápido olhar nos olhos, pode fazer toda a diferença.

Mas tudo isso passa.
O que fica é o que se constrói pra si dentro de si.

Esse lugar. Interno. Só nós podemos dizer: onde nos encontramos, à que pertencemos.
Isso meio que fecha a grande questão.
E só.


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