terça-feira, 26 de abril de 2011

Gigante na caixa

Foto: Vanessa Komatsu

Me sinto como se o estômago da vida estivesse cheio, e eu no meio do bolo, sem poder me movimentar direito lá dentro.
Como se a força maior, independente de qual seja, estivesse testando minhas forças, se é mais forte que a própria dificuldade, pra ver qual o tamanho da minha vontade. 
Claro! Quero e faço para ser mais! Mas, no entanto, "devia" ser menos devido minhas circunstâncias.
Me sinto um gigante em meio a uma caixa menor que eu para me adaptar e conseguir sobreviver. É como se eu não entrasse nessa caixa, dessa fase não poderia passar. Tipo vídeogame,com o adendo de ser na vida real.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tropeço

Eu tinha um amigo na escola de inglês com esse "nome".
Saudade daquele lugar, me divertia, não aprendi muita coisa, mas me diverti bastante!

Mas não era isso que eu ia falar.
Sobre tropeçar.
Na verdade, é mais sobre o fato de perceber em certos atos, ou relacioná-los a coisas da vida, (e quando falo "coisas da vida" me sinto uma velha caduca à beira da morte, mas enfim) como o tropeço.
Ontem eu tropecei.
E começo sempre a pensar sobre depois do susto.
Penso no porquê?
É como se fossem sinais da própria vida indicando coisas dela mesma pra mim.
Eu tropecei, mas dessa vez, apesar do susto, eu não caí!
E fato, o que estava acontecendo, amorosamente e em assunto "família", era bem isso que estava acontecendo, talvez um tanto profissionalmente também, mas esse último tenho dado mais conta que os outros dois primeiros. Pelo fato do último ser mais mecânico e menos humano do que os dois primeiros.

Esse post era mais pra compartilhar desse meu "relacionar" de fatos/atos/gestos com a vida em si.
E na verdade, o começo do texto perde sentido com a minha repentina lembrança da palavra certa: escorregar. Que me parece pior que tropeçar.. Enfim, isso dá pano pra outro texto. Deixa pra lá ou pra depois.
Compartilhado. [curtir]

terça-feira, 19 de abril de 2011

Corrida para não se sabe onde



Ela precisava correr, não importava muito para onde iria, só precisava correr
Contra si mesma, contra suas vontades.
Se contrariar.
Correr contra si mesma era se encontrar.
Correr de si mesma era um erro, era adiar.
Correr de desejos tão seus era um fatigar tardio, retardatário, doente.
Encheu a boca para dizer de sonhos, com voz de poesia,
enquanto o outro lado do corpo sangrava
fingindo ser com maestria,
o que já não o era, nunca foi, quem dera ser.

A rotina das coisas nunca foi a cara dela.
A retaliação dos tempos diversos, a confusão, a poeira levantada,
como neblina de noite, na estrada
Como se já de mão única, não teria como escapar
o caminho estava só, sem opções diversas dessa vez.

Mas ela, como toda boa artista,
cria, ou pensa que cria, transforma.
Recria, relê, refaz, recomeça
O que nunca terminou.. nunca terminará.
O amor sentido.
O amor perdido.
O amor que arde, o amor que pulsa, o amor que expulsa.
O amor que fugidio, escorrega, tropeça
A palavra cega, o passo em falso, o desconversar.
O não verso, a não prosa.

O fim para um novo começo.

Justo.(?)

Fonte das fotos: Google Imagens
Montagem porca por Vanessa Komatsu


Se você já viu algum filme que tenham como tema artistas, como Frida Kahlo, Van Gogh, Modigliani, Camille Claudel, Picasso, Pollock. Ou já estudou algum artista, como Goya, Michelângelo, Courbet, Egon Schiele, Leirner, Beuys, Duchamp, Dalí, até alguns mais contemporâneos..
Sejam eles de qual época for, de qual movimento, de qual sexo. Independente de qualquer escolhas, nasceram e cresceram com essa coisa 'ARTE' meio que incrustada em suas peles, em sua carne, em suas narinas, olhos, bocas, pernas, braços, espírito, alma, também identificada como SENSIBILIDADE para identificar, sentir, perceber, traduzir, reproduzir, demonstrar, viver isso que chamam de "arte", mas que na verdade, não é algo que se possa escapar, não é uma conduta a se escolher, já se nasce com certas tendências, e ela persegue durante a vida, perturba, porque sensibilidade não é algo simplesmente bom, não chega nem perto de ser simples.
Engraçado e trágico ao mesmo tempo é observar o comportamento e as conseqüências desses comportamentos, que apesar de ocorrerem épocas diferentes, em movimentos diferentes, em lugares diferentes, são comportamentos semelhantes. Devido a sensibilidade aguçada, de percepção, de modo de ver o mundo, o seu próprio e ao seu redor, devido a essa sensibilidade, existe um certo isolamento por parte da própria pessoa, pela quietude, devido a incompreensão do que a própria pessoa-artista compreende (no sentido de possuir), mas não domina, nem ela própria compreende (agora no sentido de compreensão/ entendimento).
Como cobrar algo do outro?
Como saber como agir quando se vê único e só?
Quando o que se vê são tantos problemas e quase nenhuma solução, o lance é mostrar, é ser reflexo, é ser reflexivo, é ser pra dentro.
Ser "pra dentro" significa ter um universo paralelo, que ocorre paralelamente a esse que chamam "real", é um lugar mais seguro por ter sido sempre do mesmo jeito desde que foi criado, não muda, é espaço de fuga, de embotamento, significa juntar, acumular, construir "bolas de neves" e significa que uma hora isso vai explodir e vai então, expandir, pra fora, de si, desse universo "irreal" para quem está do lado de fora, para que observa e não acompanha, são taxados loucos, pobres coitados.
São só vítimas da incompreensão do mundo em cima da sua sensibilidade exagerada, de nascença, inata de si mesmo, o que fingem não ver, e o que me faz questionar, onde está a coragem verdadeira?
Dentro de quem enxerga tudo isso? Ou fora de quem nada vê e tudo esconde de si?

Justo de justiça, mais como justo de apertado, de falta de espaço, de ar, algo sufocante e escuro, úmido, lugar não habitável, mas que se adapta, para ter um lugar. E esse lugar é tão necessário quanto as igrejas para os fanáticos, a água para os peixes, as asas para as aves de rapina, o fermento para o pão, a sabedoria para o monge, a nicotina para o fumante, a prática para o vício.

Findopost

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Descoberta

E hoje eu tive uma percepção além do simples: "essas crianças de hoje em dia tem uma cara, um jeito de adulto, né? parecem mais adultos do que nós... olha isso!"

E hoje, liguei as partes.. o outro lado.. "impressão de que a geração dos meus pais é mais criança que a minha".

Outra na qual me incluo:

Assim como considero meus pais muitas vezes mais crianças do que eu, e me considero mais criança do que minha sobrinha [3 anos], e a criançada que está vindo, cada vez mais madura, mais ciente das coisas, mais perceptivas.
Acho que é o que acontece mesmo, não é impressão..

Agora faz mais sentido, ver o todo, me incluir nele!

E que venham os pequenos, já tão grandes! =D
E que sejam bem vindos, novos professores da vida!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Do olhar, dos poderes e quereres, um post

Foto: Vanessa Komastu



Agora mesmo eu recordei, de quando eu era pequena, de como eu achava que funcionavam as coisas com os seres humanos.. Não conhecia essa coisa chamada "experiência". Quando se é criança, tudo é novo,  é reflexão, é simplesmente um (raro) fluir!
E eu pensava, quando criança, acreditava e temia no poder dos olhares. Acreditava que não eram apenas olhos como todos diziam ser, com suas funções normais de enxergar o fora, somente o externo. Acreditava que as pessoas sabiam ver mais se quisessem, só era preciso querer, devido aos mil afazeres perdiam essa vontade, e assim se esqueciam dessa qualidade, e eu pensava "ainda bem".
Acreditava que eles enxergavam o dentro. Algumas pessoas realmente sabiam ver e ainda sabem. 
Não olhava as pessoas nos olhos, pois as sabia ler e ainda o faço. É fácil, o corpo das pessoas fala, por vezes, grita! Criança é pura, conhece a sinceridade dos gestos, a naturalidade do corpo, sabe quando mentir é brincadeira, sabe quando estão falando sério para não falar mais sério ainda.
Acreditava que as pessoas liam meus pensamentos, os olhos delas indicavam que sabiam o que eu estava pensando e logo mudava o rumo dos pensamentos, mas era só mudarem o rumo dos olhos para começar a pensar e articular meus planos novamente.

E assim foi, assim lembro, assim conto.

domingo, 10 de abril de 2011

Questão de boa vontade

Foto: Vanessa Komatsu
Exposição de gravuras no Espaço Cultural Helena Calil SJC - SP


No fim, no fundo, no desenrolar das coisas, o que realmente importa, muitas vezes, não é "ter razão" é ter boa vontade!

Boa vontade de tudo!
O querer sincero.
O esforço mais que falado, o feito, a ação em si!
O que ninguém além de você mesmo deve querer sentir, viver, ser!

Parar de pensar que não se pode, que não consegue.
Se encarar, encarar a vida, encarar a boa vontade.
A própria, a Boa Vontade.
A própria boa vontade.

Não por ter "boa" no nome, mas por ser uma intenção praticada.
Por ser o princípio de um caminho que pode te levar onde você quer chegar.
Levar onde sempre achou não ser possível (muitas vezes um descaso consigo mesmo).
Ser o caminho que te leva a um se "auto enxergar", e assim,
ter mais olhos, ou ter os que já têm, abertos,
para poder olhar enfim, e também, para os outros, para o mundo,
lá fora.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

meio que isso.. e um pouco mais..!

"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos." (Carlos Drummond de Andrade)




Porque é pelo excesso das crises constantes
é pelo transbordamento
é pelo excesso...
que me bordo
que me transbordo em escritos
em desenhos
em símbolos


coisa minha
coisa do mundo
quando aqui
de vocês


compartilhado.
partilhado
dividido


ser do mundo também
é uma troca..
pelo que o mundo oferece de possibilidades mil


irreversível


é pelo excesso mais do que pela falta
eu continuo


e você?

Estou a procura de:

Se alguém tiver... por favor, contate-me.


  • Uma chave;
  • Um balão (daqueles de colocar gente e subir pra bem longe e alto);
  • Várias bolhas de sabão (preferível ter a alegria da Jéssica ou do Fósforo junto);
  • Uma flor (sem ser de cemitério, plis!);
  • Um chá de amor (não aquele que tem gosto de chá de cadeira);
  • Um sofá (daqueles de espatifar o corpo, estirar o corpo como morto... ficar);
  • Uma máscara;
  • Um canto;
  • Uma vaga;
  • Um refúgio;
  • Uma canção;
  • Uma maca;
  • Um coração alegre e vivo e agitado (de criança preferencialmente, é para ouvir e conviver, calma!);
  • Uma receita a seguir;
  • Vários litros de poesia (quero encher a dispensa);
  • Uma caixa de lápis de cor;
  • Uma bandeira;
  • Um pouco de trabalho;
  • Um tufo de dinheiro (pode ser desenhado, mas que valha alguma coisa para alguém);
  • Uma presença (pode ser de caderneta);
  • Uma vassoura (daquelas pequeninas de infância);
  • Um monte de areia (sem formigas, por favor!);
  • Uma peneira;
  • Um baldinho;
  • Uma novela, um seriado ou um filme curto estilo alienante;
  • Um caminho;
  • Uma caminhada;
  • Um caminhão;
  • Algumas dicas de como não cair;

Na rotina.

Quem tiver alguma dessas coisas, favor enviar para o endereço:
Rua de los Chicos, número que tende ao infinito (use reticências para indicar o complemento), Bairro das Fantasias, País da Relevância.
cep: vintever-oitentação.

Grata pela contribuição
O mundo agradece sua colaboração!
Se você tem sobrando em casa, as pessoas carentes do acidente do mundo, agradecem! Vou encaminhar parte das arrecadações.

Ir-remediável

[texto que surge pós leitura de textos de Caio Fernando de Abreu]

Foto: Vanessa Komatsu


Quando se respira o passado
e a coisa anda pra frente em meio cartas e propostas de um futuro feliz
Promessas em meio ao lodo, a flor que brota!

A possibilidade
o que acontece
o que acontecerá!

O que fica e o que vem pra ficar
O som que traz alguém..
O som que me leva até alguém..
O som que me tira de mim e me dá.. entregue, sem forças e vou

Quando volto o que ainda está?
O que aconteceu no caminho do que eu quis sentir e o que eu fiz sentir?

As decisões permeiam passos, descalços, calçados
chiques, disfarçados, marcados, ensaiados, pesados ou leves, viciados..
por isso erramos tanto..
mas acertamos também!

A copa verde que...
como as coisas conseguem mudar de sentido...?
como conseguem estar tão presente não estando aqui?

Como é forte a força das lembranças..
Vem sem dó, sem pena, sem respeito, sem vergonha.
nos envergonha, nos machuca, nos cospe o medo na cara
Ao mesmo que nos acalma, nos segura, nos levanta...

Como é contraditória essa vida...
como é contra..
o ser humano..

tem vez........ ?

deve ter..
mas... cadê?

Ali! -aponta-
Bora lá? -chama com a mão-

Dica: é irremediável, essa vida, que pulsa, mesmo quando as coisas parecem não mais....
mas existem as mãos certas, basta encontrá-las, se deixar encontrar, segurá-las quando estendidas..
Pra ti. Pra mim. Pra vida!
Espero que encontre essas mãos... Esteja você onde estiver.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Chapters

E se nos capítulos da vida eu não tivesse te encontrado
teria que te colocar em mais parágrafos, em pedaços..

terça-feira, 5 de abril de 2011

Piche

ele do outro lado da rua
sentado na varanda..
e o piche no meio..
a pavimentação
o caminho novo

o aceno e o sorriso do outro lado da rua..
a impossibilidade de ir pra frente e voltar depois para um "oi"

simbolismo nas coisas. acho que me perseguem..

depois de meses, um ultimo olhar

segunda-feira, 4 de abril de 2011

abril

porque essa palavra pode ser duas quando falada

e abriu em abril talvez uma flor roxa
talvez amarela
ou mesmo vermelha

mas a que preciso é a branca
a que não consegue florescer agora

como a flor rosa que namora
e a que, em botão, sonha despertar

como a certeza que nunca chega
e nunca é sempre tempo demais.

palavras fortes
pra momentos igualmente
insanamente
"nãos"

parece ser fim de dia
em vez de abril
podia ser funil
pois tem o mesmo final
e uma utilidade maior em ser

filtrar.. condensar... selecionar
controlar.. o fluxo, a massa..

quase não acredito que "abril" me fez abrir-me neste texto

twice

quando a gente erra
parece já ter visto isso em algum lugar
parece repetido
parece deja vu só que agora no corpo praticante


quais será que são as referências?
os referenciais para tanto erro?
como aprendemos as coisas boas, as coisas ruins não devem ser muito diferentes..

se a culpa não vem não significa que estamos certos

give up

quando você só quer falar sem ouvir resposta
e achar que está tudo bem
até que as ouve de fato


o lance do reflexo no espelho
do seu reflexo no outro
funciona bem.


quando acontece de acontecer
sem que você esteja fortificado
é covardia, é inocência, ignorância


comer bolacha de água e sal recheado de margarina..
lembra-me infância..
e de como achava que crescer..
seria tão mais fácil.. doce ilusão salgada.

Irreflexão

ou.. ih... Reflexão!

a preguiça..
a falta de vontade..

a cegueira
a raiva
a doença


que nos toma
que nos torna
algo que não se dá orgulho de olhar espelhos..


irreflexão é a não reflexão
a não flexão dos verbos
a não falação
a não filiação dos pensamentos e/ em atos.

o "don't stop dancing" quando a música já acabou ou o ritmo é outro
não se acompanha quando se encontra drogado
entorpecido por alguma droga
qualquer que seja, mesmo que em vestes de amor..

domingo, 3 de abril de 2011

sentidos

"perca todos os sentidos..
faça fazer sentido!" _Donazica

quando as coisas são já turvas.
o que colabora
o que prejudica
o que nunca fica

o que vai embora.



quando as coisas ficam surdas
não tem mais remédio

finda-se o sonho.
finda-se vida
início de morte.



quando se deixa pra depois...

os avisos perpétuos..
vem remorsos malvados
e o passado remoto.

quando. para.

é quando o gosto muda que o leme se confunde
pra que lado seguir.. em frente?

tempo para respirar..
espaço para respirar..

as vezes me falta aquele ar..
de fora
de fora
de fora

de mim
de casa
de ti...

de tudo..

do mundo..

de nada.

as vezes necessito desse nada
acho que todos.

esse silêncio sem angústia alguma
a leveza como brisa matutina em dia de verão..
a delícia de ler algo que interessa

certas coisas não tem volta
o duro é saber quando parar.

caderneta 2009

Desenho: Vanessa Komatsu



na ponta do lápis na ponta da boca na ponta da língua um beijo nuvens
a leveza na ponta dos pés. o teatro da vida o palco se abre. surpreende
com suas surpresas e representações. Interpretações.