sexta-feira, 22 de outubro de 2010

relaxo

Quando as coisas parecem boas demais.
Desconfie.

Alguma coisa pode estar errada.
Ou não.

No caso de hoje, sim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

relato

foi ontem.

(voltando para casa)
era quase noite, ainda claro, devido ao já quase-verão..

subi no ônibus no Terminal Central, com os foninhos no ouvido, música alta.
entrei pela porta de trás.
um senhor virou-se para trás, estava sentado, me avistou.
me olhou, me olhou, me chamou.
com o foninho nem notei, mas ao olhar fixo insistente e boca se mexendo, tirei os fones para ouví-lo.

era um senhor já com alguns bons fios brancos em meio aos cachinhos curtos em toda sua cabeça de cabelos pretos.. pele morena escura meio avermelhada queimada de sol. faltando dentes da frente na boca, roupa surrada, sandálias nos pés. alto, magro..

ele se levantou e me ofereceu seu lugar.
eu me pronunciei logo agradecendo e dizendo que não precisava
ele insistiu...
eu disse que não queria e agradeci novamente..
ele insistiu dizendo "mas você é madama... senta"
para evitar mais discussão e desentendimentos me sentei.
pra quê discutir não é mesmo? estava só me dando lugar.
ele se sentou nos degraus que se faziam na parte de cima onde se encontram o pneu do ônibus.

agradeci e sentei.
algumas meninas riam ao fundo.
eu sorria.

até então tudo bem. recoloquei os fones.
ele me chamou mais adiante novamente.
não o ouvi fazendo com que me tocasse para me chamar novamente.
retirei um dos fones para ouví-lo, não entendi, tirei o outro.

me pedia uma caneta.
procurei na bolsa, preconceituosamente dei a mais simples.
não sabia se ele me devolveria e as outras eu usava bastante.
enfim.
emprestei-lhe a caneta.
dei uma olhada uns segundos depois para ver o que fazia com ela..

uma bola de tênis nas mãos, escrevia nela com a minha caneta.

curioso.

me concentrei lá fora..
ele me chama novamente.

(os outros passageiros a volta ignoram todos os fatos como se nada tivesse acontecendo
exceto pelos risos de início)

me oferece a bola de tênis escrita e a minha caneta.

pego só a caneta, agradeço pela bola, mas não a pego.

ele pergunta se eu não quero.

a essa hora já estava em dúvida se ele estava bêbado, se estava querendo chamar atenção ou só uma pessoa normal que quer interagir com outra pessoa viva, presentear, trocar.

ele insiste, eu coloco os fones e ele resmunga algumas coisas.
eu começo a ficar inquieta por dentro.
meu corpo começa a reagir de forma a saber que o que sentia era medo.
medo da reação dele. medo.

queria logo sair dali.

meu ponto ainda era o quarto da rua...
passavam lentamente devido a minha inquietação e vontade de fugir dessa situação.
já calculando onde eu pisaria para ele não pegar na minha perna ao me levantar, porque ele estava praticamente sentado no chão comparado ao banco mais alto ao qual me sentei..

meu ponto chegou. a hora de descer estava próxima..
me aproximo da porta de trás.
(ele estava no meio do ônibus, não faria diferença sair pela porta de trás ou do meio..)
um tanto nervosa... ansiosa por sair de lá..

até que segundos antes de sair..
ele me chama novamente.
eu olho e tiro os fones..
ele diz:  "me desculpa alguma coisa viu?"

eu solto um riso doce pra ele. como quem quer dizer "'me desculpe' digo eu".
e para quem assiste: como quem diz "não foi nada"

e desço.

caminho até o portão de casa..




um cadeado.

destranco-o, abro o portão, entro. tranco de novo.

outro cadeado. outro portão.

destranco-o, abro o portão, entro, me tranco de novo do lado de dentro.

observo ainda pensando no que me havia acontecido.

tantas mulheres no ônibus, muitas muito mais bonitas que eu.
porque eu?

olho para fora. um suspiro contido.
vejo o que acontece.

me sentia segura por estar atrás daquelas duas grades.
sozinha.

ainda pensando sobre a bolinha de tênis.
eu recusei um presente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segredos

Parece que eu nunca aprendo a guardar meus segredos pra mim.

Chego a acreditar no que meu professor dizia:
"Sua geração não sabe guardar mais segredo."

Às vezes me sinto tão sem razão....
Às vezes me vejo puro instinto...

Minha consciência é meu próprio castigo..

terça-feira, 12 de outubro de 2010

no meio da arrumação.. bagunça!

no meio dos milhares de papéis..
uma folha de fichário.

"VOCABULÁRIO:
-Apaziguar - acalmar (-se), pacificar(-se), aquietar(-se).
-......"

vejo em cima escrito:
"ñ posso amar você.
          s/ acento: bambu, logaritmo"

vai entender.

domingo, 10 de outubro de 2010

dia da minha mãe!

aniversário!
parabéns pra ela

acabamos de voltar do mercado.
fomos procurar a 51 pra tirar foto! haha
não achamos.



acabou que ela tirou com as placas de 51 do mercado e eu com dois patinhos de espuma para banho de crianças xD

enfim...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

é quando a fala perde a fome que tudo escurece. nada esclarece.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

calar

porque algumas vezes, dizer muitas coisas é nada dizer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

cheiro

cheiro das roupas lavadas por sua mãe.
minha memória registrou esse perfume.

na vontade de fotografar o cheiro
na vontade de registrar por escrito a sensação
na vontade.....
impraticável.

e novamente me despi
a blusa voltou para o armário
com a presença ilustre daquele perfume.

sensações pelas quais mergulhei de corpo e alma..
e segundos depois, na rua, esquecendo de tudo





mais uma vez.


sábado, 2 de outubro de 2010

doideras

o que seria da vida sem as pequenas loucuras do dia-a-dia?

para um grande amigo. sempre lembranças.

Para Luiz Felipe, vulgo Fósforo.


Pelas músicas da Ceumar traduzo bem o que é a alegria de saber que ele existe de fato.



O olhar que me faz falta.. uma verdade:

"o seu olharseu olharseu olhar melhora...
... melhora o meu...

onde a brasa mora..
e devora o breu..
como a chuva molha..
o que se escondeu..

o seu olhar me olha..
o seu olhar é seu..."

A presença que nunca seca....
logo ele chega por aqui.. 
e a força molhará nossa alegria como sempre o foi.


Essa música representa tão bem o que eu sinto que é pra mim..

"pode parecer promessa
mas eu sinto que vc
é a pessoa...
mais parecida comigo que eu conheço..
só que do lado do avesso..
pode ser que seja engano
bobagem ou ilusão
de ter vc na minha.. 
mas acho que com vc eu me esqueço..
e em seguida eu aconteço..
por isso deixo aqui meu endereço 
se vc me procurar eu apareço..
se vc me encontrar te reconheço...
por isso deixo aqui meu endereço...
se vc me procurar eu apareço..
se vc me encontrar.. te reconheço"

E mais que tudo, as lembranças mais que lindas:

"por amor ou euforia..
tudo de novo eu faria"

Onde me meti..."lá onde os pés fincaram alma.."

E em...
"um canto de paz"
desejo que meu carinho chegue até seu peito
e que ao te encontrar você consiga sentir..
e ao sentir..
se deitar..
e dormir gostoso para mais um dia que vai nascer..
e te renovar...
pra você mesmo.. pro mundo.. pra mim..
um leve e forte abraço da borboleta distante...
uma flor que se desperta.. ao te encontrar...
aquela que o vento tirou pra dançar...