terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Me abrace, que no abraço mais do que em palavras, as pessoas se gostam."
Clarice Lispector

    Essa frase me tomou de um modo... talvez por certa carência. Talvez.
    Talvez saudade. Mas saudade já é de algo que não se faz presente.
    Nada se repete. E eu vejo como tanta coisa mudou tanto em pouco tempo.
    E em como antes, saber identificar abraço-sincero-carinho-gostoso era querer dele eternidade.
    Duração eterna não sobraria lugar a saudade.
    Saudade não deixa lugar para existir, deixa?

    Então.. cadê?

domingo, 26 de setembro de 2010

Porque certas músicas são mágicas.
Teletransportam para onde não estou.
Para perto de quem, não sendo eu, é parte de mim.
Devaneio.
De Vanessa.

"Devaneio = sonhar com olhos abertos."
segundo uma professora de história da arte da faculdade disse em uma das aulas...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

humor não-humano humanizado.

De noite ele chorou.
Enquanto uns dormiam, outros faziam amor ou sofriam de insônia.
Poucos perceberam o sopro-desabafo.
Logo fizeram descaso.

(Ele prefere mostrar o que sente no escuro
Se sente mais seguro)

De dia amanheceu com aqueles olhos inchados.
Já secos.
Mas um humor ainda angustiado.

A vida acontece e os passarinhos continuam a cantar.
Como se nada tivesse acontecido.
O natural às vezes passa desapercebido.

O tempo morreu por lá,
Mas vive aqui.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

sol e susto

Ao sair do prédio, ao pisar na escadaria que dava para a rua...

Levantou a cabeça e junto o olhar subiu.
Chamou-lhe a atenção aquela luz laranja-avermelhada
encoberta por uma semi-nuvem, meio névoa.
Tempo estranho.

O sol lhe pareceu bravo, raivoso, nervoso.

Ela teve medo.

Chegou até a pensar no fim do mundo, apesar de lembrar-se que não acreditava nisso.
Por um segundo desejou não estar onde estava.
E abraçou o mundo, como se fosse seus amigos.
Tudo feito em pensamento.

Resultado do medo que a visão lhe causou.
Ele realmente estava bravo.

Depois de algumas fotos ela se acalmou.
Um registro.
Uma prova de que ele realmente estava bravo nesse dia.

Amanhã ele amanhece manso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

para recordar

Certos momentos se não registrados,
é como  se não tivessem acontecido de fato.


              Na UEL, em uma das mesinhas de concreto e pedra.
              O vento faz chover flores da árvore na qual estou sob-posta.
              O barulho que fazem ao cair no chão em cima das folhas secas
              faz o mesmo barulho dos pingos d'água ao cair no chão.
              O visual delas caindo rápido dá a ilusão ótica de chuva
              que despenca de repente.




Recolho algumas para recordar
Recolho algumas para lhe mostrar.




domingo, 19 de setembro de 2010

Eu, yo mismo and me.

No profundo:
Eu: -Vamos para a superfície...
Yo mismo: -É uma boa idéia! Aqui já está muito deserto.
Me: -Então vamos logo, antes que escureça demais aqui dentro.

Na superfície:
Eu: -Pensei que aqui estaria mais calmo para nós.
Yo mismo: -Continuo agitado, impaciente, solitário.
Me: -Não quero conversar mais com vocês, só por hoje.

Um dia depois:
Eu: -Hoje tentei uma conversa com eles, ninguém está.
Yo mismo: -Hoje tentei dizer, mas ele estava ocupado demais.
Me: -Eles não querem mais ser admirados.

Um mês depois:
Eu: -Cansei de tentar ficar aqui caçando essa gente.
Yo mismo: -Acho que preciso de... do que será que é possível ter sonhos aqui em cima?
Me: -Cansei de sonhar, quero alguém para abraçar forte e decententemente, nem que seja com palavras.

Cansados de correr atrás de pessoas que não tem tempo.
Cansados de correr de si mesmos.
Cansados de tentar sorrir.
Cansados de.

Eles não conseguiram subir de fato, certo?
E a cada mês se aprofundam mais em suas buscas já consideradas infundadas.


"Estamos condicionados a 'eu-aqui' versus 'você-lá-fora', e perdidos numa sensação de "nosso-aqui-dentro."
 Willian Blake diz isso de modo mais poético:
 "Se as portas da percepção fossem limpas, tudo pareceria ao homem como é, infinito. Pois o homem se fechou, até ver todas as coisas através de estreitas fendas em sua caverna."" Maria Eugênia de Castro

sábado, 18 de setembro de 2010

Manias

Manias de se perder.
No meio de tanta gente, não saber onde está.
da rua, se perguntar onde vai.
da aula, se perguntar onde foi que a professora parou.
da vida, se perguntar: seguir ou parar?

Mania de sonhar.
fingir ser alguém que não é.
se pintar.
querer estar onde não está.
viajar aos olhos fechar.

Mania de disfarçar.
sorrir quando se quer correr.
olhar nos olhos quando só quer abraço.
ficar falar quando se quer esconder.
nem escrever quando se quer gritar.

Mania de voltar.
não sair de lá.
guardar tudo.
amar.
ir atrás.
ainda querer.
Manias.

Tão todas.
tolas.
bolas.
bobas.

Sobra. O que resta. O que mescla. Mais o que esqueço de assumir. E de fazer sumir.



(post experimental. não deu certo)

Cadê os duendes?

Se a bruxa era a própria princesa.
O que será de mim sem a fada?

Depois não sabem porque a natureza se acaba.
Nem ar mais temos.
Quão pequenos os sonhos ficaram agora.

Certas descobertas fazem milagres acontecerem.
Certas crenças fazem sonhos realizarem.
Certas palavras não deveriam ser esquecidas,
tão pouco seu significado inicial, mesmo que "errados".

Anota-se.
Nota-se.
A nota.
Se... notamos.
Dê nota.
Denota.
Se anota:
nota.
Se.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Maninha

Manhã
manha.

Amanhã que a mana não quer,
mas vai chegar.

Evitar.
Esquivo
arquivo
desvios vãos.

Desquite
indevido.

Direto
endireito
torto
alheio.

Próximo
maninha
futuro
guarda
o que te aguarda logo a frente.

Chega disso!
Chega logo!
Chega
dessa cegueira forçada.

A preguiça de ver
é o duro para acertar.
É o medo do erro
e do, ainda, descabido esforço de tentar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Flash

Hoje, ao voltar para o quarto, olhei minha amiga adormecida.
Lembrei que, quando criança, não gostava muito de olhar as pessoas que gostava dormirem..
Sempre assustada, ficava quietinha, com o coração a mil palpitações todas atrapalhadas e agitadíssimas,
observando o menor movimento de uma suave respiração de quem já está lá pelo quinto sono.
E para algumas pessoas velar o sono alheio é tarefa fácil.
Para mim era sofrido.
Medo que não fosse só sono.
Lembro também que ficava a observar a expressão da face.
Era a hora que eu mais gostava de olhar para os rostos, porque me parecia inocente.
Por pior que a pessoa fosse. Não dava pra saber se sorria ou se estava brava, se estava triste, se sofria..
Os olhos, fechados, eu imaginava o momento de se abrirem novamente...
Esses momentos pareciam eternos pra mim. E ainda o são quando os recordo assim.
Depois dessa eternidade diante do sono alheio..
Saía de fininho e ia brincar quietinha, ser livre, feliz e desperta.

sábado, 4 de setembro de 2010

coisa engraçada

certas percepções geram riso.
chega a ser ridículas certas repetições

relendo alguns posts mentalmente relembrando outros tantos..
ê menina pra ter saudade, não?

escuta música lembra de alguéns, dá saudade
passa um vento no ouvido: saudade
anda em alguma rua específica: saudade
sente um perfume, lembra de alguéns, dá saudade
relê cartas, emails, poemas, revê fotos...
tudo desemboca num mar de saudade

parece não ter fim.
por isso se repete..

certas ondas vem em olhos de ressaca.
não perdoa nem Bentinho, nem Maria
tão pouco as quase Leonardo.

música faz lembrar

lembrar dói
faz saudade
dá vontade de estar lá de novo.
nos leva pra lá.

vivemos de novo
vivemos
diferente.

quando a intensidade nunca
nunca [ainda] se dissolveu
em nenhum tipo de momento-solvente.