domingo, 5 de dezembro de 2010


Imagem: Eveline Tarunadjaja


Quando a existência parece depender de algumas pessoas, de algumas instâncias, de alguns instantes secretos, selados, sensatos em sua vivência, insensatos vistas de fora..
Segredos, por vezes, sagrados.
O que temos conosco, o que levamos no caminhar rotineiro, corriqueiro, corrida maluca, cruel na sua pressa..
Levam tanto de nós.. O que nos sobra enfim?
O pouco tem de bastar. Tem de satisfazer o já insuficiente para respirar tranquilo pelo menos uma vez por dia..
A gente faz o tempo que o tempo permite construir dentro dele mesmo.
Escondemos o infinito do lado de dentro. Só nós sabemos o caminho para se chegar no lugar secreto, a senha esse Tempo de fora nunca descobrirá, precisa ter mais que Coração para se chegar lá.

Te encontro por lá, as dez.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Ódio liga mais os Indivíduos que a Amizade
O ódio, a inveja e o desejo de vingança ligam muitas vezes mais dois indivíduos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois está em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade - onde é muitas vezes determinada a essência das relações positivas entre os indivíduos: o amor e a amizade - é sempre relativa e não é em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as relações negativas, essas são, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O ódio, a inveja e o desejo de vingança têm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovão e os relâmpagos.

Arthur Schnitzler, in 'Relações e Solidão'

O Ódio Limita o Indivíduo
A inveja e o ódio, mesmo se acompanhados pela inteligência, limitam o indivíduo à superfície daquilo que constitui o objecto da sua atenção. Mas, se a inteligência se irmana com a benevolência e com o amor, consegue penetrar em tudo o que nos homens e no mundo há de profundo. E pode mesmo acalentar a esperança de atingir o que possa haver de mais elevado.

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

,,,,, tropeços



Ódio


ódio é um sentimento intenso de raiva. Traduz-se na forma de antipatiaaversãodesgostorancorinimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo.
A palavra tem origem no latim odiu.
O ódio pode se basear no medo a seu objetivo, já seja justificado ou não. O ódio é descrito com frequência como o contrário do amor, ou a amizade; outros, como Elie Wiesel, consideram a indiferença como o oposto do amor.
O ódio não é necessariamente irracional. É razoável odiar pessoas ou organizações que ameaçam ou fazem sofrer.


Raiva e ódio

O Ódio é mais profundo que a Raiva. Enquanto a Raiva seria predominantemente uma emoção, o Ódio seria, predominantemente, um sentimento. Paradoxalmente podemos dizer que o ódio é um afeto tão primitivo quanto o amor. Tanto quanto o amor, o ódio nasce de representações e desejos conscientes e inconscientes, os quais refletem mais ou menos o narcisismo fisiológico que nos faz pensar sermos muito especiais.
Assim como o amor, só odiamos aquilo que nos for muito importante. Não há necessidade de ser-nos muito importantes as coisas pelas quais experimentamos Raiva, entretanto, para odiar é preciso valorizar o objeto odiado.
A teoria do Sujeito-Objeto, diadaticamente coloca a idéia de que existem apenas duas coisas em nossa existência, eu, o sujeito e o não-eu, o objeto. E tudo o que sentimos, desde nosso nascimento, são emoções e sentimentos em resposta ao objeto. Para que essa teoria possa ter utilidade é imprescindível entendermos o objeto como tudo aquilo que não é eu, mais precisamente, tudo aquilo que não é minha consciência.
Assim sendo teremos os objetos do mundo externo ao sujeito, que são as coisas, os fatos, os acontecimentos, e os objetos internos, que são nossos órgãos, nossa bioquímica, etc. Podemos sentir raiva, e outros sentimentos, em resposta a algum objeto externo (pessoa, trânsito, time de futebol…) ou sentir ansiedade, e outros sentimentos, em resposta a algum objeto interno (hiperteireoidismo, diabetes, TPM, etc…).
Mas, de qualquer forma, o mundo objectual (do não eu) só pode ter valor se o sujeito o atribui. Para o sujeito nutrir sentimentos de ódio, é indispensável que atribua ao objeto de seu ódio um valor suficiente para fazê-lo reagir com esse tipo de sentimento. Obviamente, se ignorar o valor do objeto não poderá odiá-lo.
Em termos práticos podemos dizer que a raiva, como uma emoção, não implica mágoa, mas em estresse, e o ódio, como sentimento, implica uma mágoa crônica, uma angústia e frustração. Nenhum dos dois é bom para a saúde; enquanto a raiva, através de seu aspecto agudo e estressante proporciona uma revolução orgânica bastante importante, às vezes suficientemente importante para causar um transtorno físico agudo, do tipo infarte ou derrame (AVC), o ódio consome o equilíbrio interno cronicamente, mais compatível com o câncer, com arteriosclerose, com a diabetes, hipertensão crônica.








copiado da Wikipedia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

de todos, a cor que ficou.

já estive com o dia,
queimou minha pele.

bronzeado de nublado
meus dias em anos..
estive junto, sofri. amei.

já estive com dias confusos.

conheci o entardecer..
amanheci.

a noite chegou a pouco
me tomou os dias
eu quase enlouqueci
só se fez boa na primeira companhia.

o que sobrou de mais belo
desejo ter de novo
meu entardecer.
e de novo, poder amanhecer.

macia, delicada, suavemente perfumada de sono
te acordar com beijos para um dia novo.
renascer.

domingo, 14 de novembro de 2010

tempo será, tem de ser..

tempero com paixão os meus olhos,
que já me entregam sem permissão
cheios de algo que nem sei...

mais forte que minha força contrária a emoção.
deixar rolar, será, então?

fico pensando no pôr-do-sol...
motivos para te ver
uma caminhada perto da sua casa
um convite
um despudor
uma visita..

rendada de uma gira
que me enlouquece de risinhos perdidos
e contorções do corpo
mordida nos lábios
ao lembrar tua voz em conjunto, tuas palavras
teu gesto, tua feição, tua paixão.

já se tornou minha.
Haja coração!

sábado, 13 de novembro de 2010

sonho que virou delírio

que o dia virara noite
todos os dias.

a noite invadia suas tardes
manhãzinha ainda era noite..
mal acordava e a noite vinha
pensamentos pernoitavam o dia inteiro

e a noite a perseguia
obsessão

daquelas paixões arrogantes
prepotentemente tomando conta
de tudo que possa tomar..
e que não possa também.

o espaço das coisas inexiste
rasga desejos intensos de uma noite por dia.
e o dia nunca mais teve essa noite.
talvez nunca mais a verá noite.

e noite demora a chegar
e pra ir embora... nem se fala!
demora mais ainda.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Aniversário

Ano passado que passei a gostar dessa data.
Dia 12 de novembro.
Dia no qual nasci.
Ano de 1988.
Portanto, 22 aninhos este ano..

Muitas pessoas queridas me desejando felicidades e muitas coisas boas como
saúde, amor, paz, sorrisos, coisas bacanas, tintas, artes, dinheiro, sucesso, ...

Desejo de volta e em dobro!

Quando passei a olhar e focar mais as coisas boas,
as coisas sim BOAS pelas quais passei, proporcionei passarem,
escolhi passar, vivi, senti, respirei..

do que as coisas ruins.

O peso somos nós que damos.
Colocamos mais ou menos peso ao que pesado já é.
A vida não é fácil e ninguém disse que seria. Disse?
Não pra mim.

Minha vó dizia: "Casa com homem rico, Vanessa! Pra poder viajar bastante!" (ela é doidinha por uma viagem)
Nunca viajei tanto quando estive solteira!
Depender de gente pra ser feliz e fazer as coisas que se quer é tenso e eu tô fora, hein?

Pai ligou de Amsterdã.
Mãe de São José dos Campos.
Recados carinhosos de pessoas que mal me conhecem de abraço.
Outras de mais que amassos e tantos anos passados..
Recados, amigos, queridos.
Pessoas amadas, mais que desejadas o melhor, o maior bem do mundo!
Desejando o mesmo pra mim.
Quer coisa melhor?
Que reunir tanta coisa boa num dia só?

Seria bobagem ignorar tudo isso e me dar ao luxo de me dizer triste num dia de sol!

Me poupo de ser triste.
Pelo menos, por hoje:
vou ser mais feliz do que a felicidade permite!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

matutando..

o que se perde se perdoado?
reações químicas do corpo..
baile de sangue quente em veias pulsantes
olhos fechados
som ambiente
ambiente pequeno
pequeno desvio da rotina sem graça
a graça de perder o sentido...
o sentido que não tem sentido algum...
algum lugar sem lugar pra se encaixar
coisas fora de caixotes..
explodem para fora do senso........
enfim

nada comum..

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

relaxo

Quando as coisas parecem boas demais.
Desconfie.

Alguma coisa pode estar errada.
Ou não.

No caso de hoje, sim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

relato

foi ontem.

(voltando para casa)
era quase noite, ainda claro, devido ao já quase-verão..

subi no ônibus no Terminal Central, com os foninhos no ouvido, música alta.
entrei pela porta de trás.
um senhor virou-se para trás, estava sentado, me avistou.
me olhou, me olhou, me chamou.
com o foninho nem notei, mas ao olhar fixo insistente e boca se mexendo, tirei os fones para ouví-lo.

era um senhor já com alguns bons fios brancos em meio aos cachinhos curtos em toda sua cabeça de cabelos pretos.. pele morena escura meio avermelhada queimada de sol. faltando dentes da frente na boca, roupa surrada, sandálias nos pés. alto, magro..

ele se levantou e me ofereceu seu lugar.
eu me pronunciei logo agradecendo e dizendo que não precisava
ele insistiu...
eu disse que não queria e agradeci novamente..
ele insistiu dizendo "mas você é madama... senta"
para evitar mais discussão e desentendimentos me sentei.
pra quê discutir não é mesmo? estava só me dando lugar.
ele se sentou nos degraus que se faziam na parte de cima onde se encontram o pneu do ônibus.

agradeci e sentei.
algumas meninas riam ao fundo.
eu sorria.

até então tudo bem. recoloquei os fones.
ele me chamou mais adiante novamente.
não o ouvi fazendo com que me tocasse para me chamar novamente.
retirei um dos fones para ouví-lo, não entendi, tirei o outro.

me pedia uma caneta.
procurei na bolsa, preconceituosamente dei a mais simples.
não sabia se ele me devolveria e as outras eu usava bastante.
enfim.
emprestei-lhe a caneta.
dei uma olhada uns segundos depois para ver o que fazia com ela..

uma bola de tênis nas mãos, escrevia nela com a minha caneta.

curioso.

me concentrei lá fora..
ele me chama novamente.

(os outros passageiros a volta ignoram todos os fatos como se nada tivesse acontecendo
exceto pelos risos de início)

me oferece a bola de tênis escrita e a minha caneta.

pego só a caneta, agradeço pela bola, mas não a pego.

ele pergunta se eu não quero.

a essa hora já estava em dúvida se ele estava bêbado, se estava querendo chamar atenção ou só uma pessoa normal que quer interagir com outra pessoa viva, presentear, trocar.

ele insiste, eu coloco os fones e ele resmunga algumas coisas.
eu começo a ficar inquieta por dentro.
meu corpo começa a reagir de forma a saber que o que sentia era medo.
medo da reação dele. medo.

queria logo sair dali.

meu ponto ainda era o quarto da rua...
passavam lentamente devido a minha inquietação e vontade de fugir dessa situação.
já calculando onde eu pisaria para ele não pegar na minha perna ao me levantar, porque ele estava praticamente sentado no chão comparado ao banco mais alto ao qual me sentei..

meu ponto chegou. a hora de descer estava próxima..
me aproximo da porta de trás.
(ele estava no meio do ônibus, não faria diferença sair pela porta de trás ou do meio..)
um tanto nervosa... ansiosa por sair de lá..

até que segundos antes de sair..
ele me chama novamente.
eu olho e tiro os fones..
ele diz:  "me desculpa alguma coisa viu?"

eu solto um riso doce pra ele. como quem quer dizer "'me desculpe' digo eu".
e para quem assiste: como quem diz "não foi nada"

e desço.

caminho até o portão de casa..




um cadeado.

destranco-o, abro o portão, entro. tranco de novo.

outro cadeado. outro portão.

destranco-o, abro o portão, entro, me tranco de novo do lado de dentro.

observo ainda pensando no que me havia acontecido.

tantas mulheres no ônibus, muitas muito mais bonitas que eu.
porque eu?

olho para fora. um suspiro contido.
vejo o que acontece.

me sentia segura por estar atrás daquelas duas grades.
sozinha.

ainda pensando sobre a bolinha de tênis.
eu recusei um presente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segredos

Parece que eu nunca aprendo a guardar meus segredos pra mim.

Chego a acreditar no que meu professor dizia:
"Sua geração não sabe guardar mais segredo."

Às vezes me sinto tão sem razão....
Às vezes me vejo puro instinto...

Minha consciência é meu próprio castigo..

terça-feira, 12 de outubro de 2010

no meio da arrumação.. bagunça!

no meio dos milhares de papéis..
uma folha de fichário.

"VOCABULÁRIO:
-Apaziguar - acalmar (-se), pacificar(-se), aquietar(-se).
-......"

vejo em cima escrito:
"ñ posso amar você.
          s/ acento: bambu, logaritmo"

vai entender.

domingo, 10 de outubro de 2010

dia da minha mãe!

aniversário!
parabéns pra ela

acabamos de voltar do mercado.
fomos procurar a 51 pra tirar foto! haha
não achamos.



acabou que ela tirou com as placas de 51 do mercado e eu com dois patinhos de espuma para banho de crianças xD

enfim...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

é quando a fala perde a fome que tudo escurece. nada esclarece.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

calar

porque algumas vezes, dizer muitas coisas é nada dizer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

cheiro

cheiro das roupas lavadas por sua mãe.
minha memória registrou esse perfume.

na vontade de fotografar o cheiro
na vontade de registrar por escrito a sensação
na vontade.....
impraticável.

e novamente me despi
a blusa voltou para o armário
com a presença ilustre daquele perfume.

sensações pelas quais mergulhei de corpo e alma..
e segundos depois, na rua, esquecendo de tudo





mais uma vez.


sábado, 2 de outubro de 2010

doideras

o que seria da vida sem as pequenas loucuras do dia-a-dia?

para um grande amigo. sempre lembranças.

Para Luiz Felipe, vulgo Fósforo.


Pelas músicas da Ceumar traduzo bem o que é a alegria de saber que ele existe de fato.



O olhar que me faz falta.. uma verdade:

"o seu olharseu olharseu olhar melhora...
... melhora o meu...

onde a brasa mora..
e devora o breu..
como a chuva molha..
o que se escondeu..

o seu olhar me olha..
o seu olhar é seu..."

A presença que nunca seca....
logo ele chega por aqui.. 
e a força molhará nossa alegria como sempre o foi.


Essa música representa tão bem o que eu sinto que é pra mim..

"pode parecer promessa
mas eu sinto que vc
é a pessoa...
mais parecida comigo que eu conheço..
só que do lado do avesso..
pode ser que seja engano
bobagem ou ilusão
de ter vc na minha.. 
mas acho que com vc eu me esqueço..
e em seguida eu aconteço..
por isso deixo aqui meu endereço 
se vc me procurar eu apareço..
se vc me encontrar te reconheço...
por isso deixo aqui meu endereço...
se vc me procurar eu apareço..
se vc me encontrar.. te reconheço"

E mais que tudo, as lembranças mais que lindas:

"por amor ou euforia..
tudo de novo eu faria"

Onde me meti..."lá onde os pés fincaram alma.."

E em...
"um canto de paz"
desejo que meu carinho chegue até seu peito
e que ao te encontrar você consiga sentir..
e ao sentir..
se deitar..
e dormir gostoso para mais um dia que vai nascer..
e te renovar...
pra você mesmo.. pro mundo.. pra mim..
um leve e forte abraço da borboleta distante...
uma flor que se desperta.. ao te encontrar...
aquela que o vento tirou pra dançar...


terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Me abrace, que no abraço mais do que em palavras, as pessoas se gostam."
Clarice Lispector

    Essa frase me tomou de um modo... talvez por certa carência. Talvez.
    Talvez saudade. Mas saudade já é de algo que não se faz presente.
    Nada se repete. E eu vejo como tanta coisa mudou tanto em pouco tempo.
    E em como antes, saber identificar abraço-sincero-carinho-gostoso era querer dele eternidade.
    Duração eterna não sobraria lugar a saudade.
    Saudade não deixa lugar para existir, deixa?

    Então.. cadê?

domingo, 26 de setembro de 2010

Porque certas músicas são mágicas.
Teletransportam para onde não estou.
Para perto de quem, não sendo eu, é parte de mim.
Devaneio.
De Vanessa.

"Devaneio = sonhar com olhos abertos."
segundo uma professora de história da arte da faculdade disse em uma das aulas...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

humor não-humano humanizado.

De noite ele chorou.
Enquanto uns dormiam, outros faziam amor ou sofriam de insônia.
Poucos perceberam o sopro-desabafo.
Logo fizeram descaso.

(Ele prefere mostrar o que sente no escuro
Se sente mais seguro)

De dia amanheceu com aqueles olhos inchados.
Já secos.
Mas um humor ainda angustiado.

A vida acontece e os passarinhos continuam a cantar.
Como se nada tivesse acontecido.
O natural às vezes passa desapercebido.

O tempo morreu por lá,
Mas vive aqui.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

sol e susto

Ao sair do prédio, ao pisar na escadaria que dava para a rua...

Levantou a cabeça e junto o olhar subiu.
Chamou-lhe a atenção aquela luz laranja-avermelhada
encoberta por uma semi-nuvem, meio névoa.
Tempo estranho.

O sol lhe pareceu bravo, raivoso, nervoso.

Ela teve medo.

Chegou até a pensar no fim do mundo, apesar de lembrar-se que não acreditava nisso.
Por um segundo desejou não estar onde estava.
E abraçou o mundo, como se fosse seus amigos.
Tudo feito em pensamento.

Resultado do medo que a visão lhe causou.
Ele realmente estava bravo.

Depois de algumas fotos ela se acalmou.
Um registro.
Uma prova de que ele realmente estava bravo nesse dia.

Amanhã ele amanhece manso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

para recordar

Certos momentos se não registrados,
é como  se não tivessem acontecido de fato.


              Na UEL, em uma das mesinhas de concreto e pedra.
              O vento faz chover flores da árvore na qual estou sob-posta.
              O barulho que fazem ao cair no chão em cima das folhas secas
              faz o mesmo barulho dos pingos d'água ao cair no chão.
              O visual delas caindo rápido dá a ilusão ótica de chuva
              que despenca de repente.




Recolho algumas para recordar
Recolho algumas para lhe mostrar.




domingo, 19 de setembro de 2010

Eu, yo mismo and me.

No profundo:
Eu: -Vamos para a superfície...
Yo mismo: -É uma boa idéia! Aqui já está muito deserto.
Me: -Então vamos logo, antes que escureça demais aqui dentro.

Na superfície:
Eu: -Pensei que aqui estaria mais calmo para nós.
Yo mismo: -Continuo agitado, impaciente, solitário.
Me: -Não quero conversar mais com vocês, só por hoje.

Um dia depois:
Eu: -Hoje tentei uma conversa com eles, ninguém está.
Yo mismo: -Hoje tentei dizer, mas ele estava ocupado demais.
Me: -Eles não querem mais ser admirados.

Um mês depois:
Eu: -Cansei de tentar ficar aqui caçando essa gente.
Yo mismo: -Acho que preciso de... do que será que é possível ter sonhos aqui em cima?
Me: -Cansei de sonhar, quero alguém para abraçar forte e decententemente, nem que seja com palavras.

Cansados de correr atrás de pessoas que não tem tempo.
Cansados de correr de si mesmos.
Cansados de tentar sorrir.
Cansados de.

Eles não conseguiram subir de fato, certo?
E a cada mês se aprofundam mais em suas buscas já consideradas infundadas.


"Estamos condicionados a 'eu-aqui' versus 'você-lá-fora', e perdidos numa sensação de "nosso-aqui-dentro."
 Willian Blake diz isso de modo mais poético:
 "Se as portas da percepção fossem limpas, tudo pareceria ao homem como é, infinito. Pois o homem se fechou, até ver todas as coisas através de estreitas fendas em sua caverna."" Maria Eugênia de Castro

sábado, 18 de setembro de 2010

Manias

Manias de se perder.
No meio de tanta gente, não saber onde está.
da rua, se perguntar onde vai.
da aula, se perguntar onde foi que a professora parou.
da vida, se perguntar: seguir ou parar?

Mania de sonhar.
fingir ser alguém que não é.
se pintar.
querer estar onde não está.
viajar aos olhos fechar.

Mania de disfarçar.
sorrir quando se quer correr.
olhar nos olhos quando só quer abraço.
ficar falar quando se quer esconder.
nem escrever quando se quer gritar.

Mania de voltar.
não sair de lá.
guardar tudo.
amar.
ir atrás.
ainda querer.
Manias.

Tão todas.
tolas.
bolas.
bobas.

Sobra. O que resta. O que mescla. Mais o que esqueço de assumir. E de fazer sumir.



(post experimental. não deu certo)

Cadê os duendes?

Se a bruxa era a própria princesa.
O que será de mim sem a fada?

Depois não sabem porque a natureza se acaba.
Nem ar mais temos.
Quão pequenos os sonhos ficaram agora.

Certas descobertas fazem milagres acontecerem.
Certas crenças fazem sonhos realizarem.
Certas palavras não deveriam ser esquecidas,
tão pouco seu significado inicial, mesmo que "errados".

Anota-se.
Nota-se.
A nota.
Se... notamos.
Dê nota.
Denota.
Se anota:
nota.
Se.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Maninha

Manhã
manha.

Amanhã que a mana não quer,
mas vai chegar.

Evitar.
Esquivo
arquivo
desvios vãos.

Desquite
indevido.

Direto
endireito
torto
alheio.

Próximo
maninha
futuro
guarda
o que te aguarda logo a frente.

Chega disso!
Chega logo!
Chega
dessa cegueira forçada.

A preguiça de ver
é o duro para acertar.
É o medo do erro
e do, ainda, descabido esforço de tentar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Flash

Hoje, ao voltar para o quarto, olhei minha amiga adormecida.
Lembrei que, quando criança, não gostava muito de olhar as pessoas que gostava dormirem..
Sempre assustada, ficava quietinha, com o coração a mil palpitações todas atrapalhadas e agitadíssimas,
observando o menor movimento de uma suave respiração de quem já está lá pelo quinto sono.
E para algumas pessoas velar o sono alheio é tarefa fácil.
Para mim era sofrido.
Medo que não fosse só sono.
Lembro também que ficava a observar a expressão da face.
Era a hora que eu mais gostava de olhar para os rostos, porque me parecia inocente.
Por pior que a pessoa fosse. Não dava pra saber se sorria ou se estava brava, se estava triste, se sofria..
Os olhos, fechados, eu imaginava o momento de se abrirem novamente...
Esses momentos pareciam eternos pra mim. E ainda o são quando os recordo assim.
Depois dessa eternidade diante do sono alheio..
Saía de fininho e ia brincar quietinha, ser livre, feliz e desperta.

sábado, 4 de setembro de 2010

coisa engraçada

certas percepções geram riso.
chega a ser ridículas certas repetições

relendo alguns posts mentalmente relembrando outros tantos..
ê menina pra ter saudade, não?

escuta música lembra de alguéns, dá saudade
passa um vento no ouvido: saudade
anda em alguma rua específica: saudade
sente um perfume, lembra de alguéns, dá saudade
relê cartas, emails, poemas, revê fotos...
tudo desemboca num mar de saudade

parece não ter fim.
por isso se repete..

certas ondas vem em olhos de ressaca.
não perdoa nem Bentinho, nem Maria
tão pouco as quase Leonardo.

música faz lembrar

lembrar dói
faz saudade
dá vontade de estar lá de novo.
nos leva pra lá.

vivemos de novo
vivemos
diferente.

quando a intensidade nunca
nunca [ainda] se dissolveu
em nenhum tipo de momento-solvente.

sábado, 28 de agosto de 2010

Brandenburg

Porque o som no celular daquele ainda mexe comigo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

de ponta cabeça

com a cabeça pendurada na cama
ela vê o seu quarto de outros ângulos.
fica recordando coisas
no meio delas.... um alguém.

fica esperando ansiosamente
encontrar o beijo dele
na boca de outro alguém.

guarda isso em secreto silêncio
amor em caixa de música
que ao abrir, se espalha, expande

de ponta cabeça, o mundo que vê agora
voltará a ter sentido.
mesmo que não conte nada a ninguém.

domingo, 22 de agosto de 2010

e ainda queremos sentir todo o prazer do mundo
como se fosse bebível
colocável em copos
pequenas doses intensas de prazer profundo
de alegrias instantâneas
passageiras
efêmeras suficientemente gratas para desejarmos cada vez mais
e nos entorpecer a cada pedaço de caminhada
a cada olhar distinto
a cada toque alheio
a cada palavra ouvida
calor carinhoso que toma nosso corpo, mais alma que corpo
mais corpo
como cobertor em inverno vingado
o sol não basta
queremos ser quebrados
descobertos...
encobertos do que melhor que podemos sentir, ouvir, ver, tocar, cheirar, brotar.

florescemos.

chega logo primavera!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

remelexo

é como se o corpo se manifestasse.
coisa que palavra alguma conseguiria descrever na íntegra..
energia essa que contagia dos olhos aos nervos.
arrepia o corpo só de ouvir as melodias e o som do ar que perpassa pelos vãos dos corpos em movimentos.
a alegria indiscritívelmente grande.
o sorriso que enfim chega.
me é contagioso o que move o corpo, mais que corpo, já sendo alma, corpo e espírito em sintonia.

talvez não tenha mesmo escapatória.
o destino me empurre para o remelexo do corpo
ao som da mais esdrúxula música, melodia, ritmo, canção..
desenvolvendo a alegria, meus ânimos todos
juntos e em sintonia do que quero sentir.

http://www.youtube.com/watch?v=VQ3d3KigPQM

porque isso me arrepia o corpo inteiro.

sábado, 14 de agosto de 2010

segunda

segunda tentativa
segunda feira
segunda vez
segunda tentativa
segunda voz
segunda
secundariamente
diariamente

cadê eu?

ainda procurando.. entre os vãos de mim mesma..
até encontrar os pedaços dispersos..

professor..
caro mestre,
meu tempo é diferente.
tudo dói.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

luz

sabe quando você chora
e quando fecha os olhos
imagina todas as pessoas que você ama
te abraçando bem forte
e você se sente em casa?

eu só queria saber porque tem momentos que me doem tanto essa coisa que insistem chamar de saudade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

falta poesia no meu jardim. falta sentido no meu sentir.

"qualquer coisa que se sinta..
tem tanto sentimento deve ter algum que sirva" Arnaldo Antunes.

domingo, 8 de agosto de 2010

Manhãzinha de Feira

Chegando à feira. Vozes e sotaques e linguagem japonesa. Eu sem entender algo familiar. O cheiro das frutas. Saudade dos avós. De ser criança e passear na feira com eles. Lembrei da vontade de comer as guloseimas nada saudáveis. A alegria de ver os legumes ainda na espera de se transformarem em comidas deliciosas. Aquele colorido. Sem ter noção de que tudo se pagava. Ir para passear. Por um momento me pareceu o tempo parar. Como se eu fechasse os olhos para o presente e revivesse o passado. Um flash. Voltei a ser criança. Já nesse corpo quis ser de novo acompanhada, acompanhante. Estava eu lá. Hoje. Só. Saudosa. Sã. Querendo me entregar a loucura de não ser quem já estou, voltar a ser quem já um dia fui, estive vestida (investidas)

É. E no fim o pensamento "cresci".

O que eu ia comprar mesmo?

Matar a saudade primeiro, desses aromas e perfumes da feira.. fazia tempo que não ia à feira. Como é bom ser. Mais que estar. Sentir. (re)VIVER.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

de grego.

quando você acha que os problemas acabaram
que isso..!
aqui tem mais. toma!

presente












certas certezas que tenho tornam algumas coisas complexas tão simples
que nenhuma descrição faria diferença nisso que você entendeu.

domingo, 1 de agosto de 2010

conceitos

mentais
visuais

comuns.

é quando a gente desloca
o que sempre pensou

seja sobre meio-fio [que não fica no MEIO da rua!]
seja sobre paralelepípedos [que não são bloquetes!]
seja sobre amor, ortografia, religião.

acontece.

certas coisas divergem

sexta-feira, 30 de julho de 2010

férias-muitas-coisas-numa-só

sabe quando você vê
sente
percebe
revê
repercebe?

poisé.
aconteceu.
e MUITO nessas férias de inverno de 2010.
incrível a quantidade de gente e situações pelas quais vivi.

Mal esperava..
Reencontrar todo mundo
Reperceber
Re-sentir

Ressentimentos que não senti novamente.
Ao rever quem me feriu.

A fera ferra

Coisas que o tempo se encarrega de carregar
para um outro lugar
que não o principal.

Platéia já desaparece.

Desacredite.
Desaperte.
Desperte.

Tudo aconteceu e o que ficou
Parece pouco (muito pouco) perto do que um dia chegou a ser.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Às vezes a gente só precisa de um bom abraço.


Às vezes é difícil transmitir para as pessoas como certas coisas são importantes para nós.
Deixamos passar. O que às vezes não passa para nós.
E fica. O que poderia ter sido. 

Por isso é bom passar vergonha às vezes.
Sorrir sozinho na rua, cantar uma canção.
Dançar dentro do carro. Rir alto, perceber e rir baixinho porque foi engraçado.
Abraçar quando tiver vontade mesmo que não for recíproco.
Dizer elogios quando dá aqueela vontade por mais que não entendam ou entendam errado.

Certas coisas não foram feitas para entender. Foram feitas para se curtir. Para serem curtidas! 
E acontece! Faça acontecer! 
Às vezes, esqueço disso, e me esqueço.
É sempre bom relembrar.


sábado, 17 de julho de 2010

Camarote

Quando ela se senta em sua cama grande e fria
No inverno de si mesma
a limpeza se faz
Logo vem primavera
Enquanto isso, com mais calma impossível,
assiste de camarote sua vida
acontecer
mais do que nunca
inteira consigo mesma.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

vontades pós peça (quando considero tudo que envolve e depende do ator bom! ou boa parte de):

ficar sentada ainda na platéia.
assistir a todos sairem assim como no cinema.
esperar os atores voltarem para arrumar o cenário.

estar no lugar de cada um deles
por um segundo
e sentir a felicidade que é
ao terminar um espetáculo e ouvir os aplausos das pessoas de pé.
sentir que conseguiu e que deu tudo certo,
um errinho aqui, uma gaguejada ali.. mas tudo certo.

conhecer cada um.
conhecer cada pessoa que acho incrível.
por mais ruim que seja...
a coragem de se colocar em público
se apresentar como outro
parte de si..
mas outro.
que não o naturalmente classificado como normal..

enfim..
palavras as vezes parecem não ser suficientes pra descrever certas coisas
descrevo parte delas
a parte que dá
a parte que elas deixam ser desvendadas e desnudadas por minhas palavras
o resto..
fica... dentro de mim
e na imaginação de vocês
gosto do cheiro que a noite tem..
venho respirando fuundo
ao caminhar depressa para casa..
já é tarde.
volto de uma peça de teatro..
em um teatro.
repetindo as primeiras frases repetidamente
como quem quisesse eternizar na escrita
o que a memória não colabora.


domingo, 13 de junho de 2010

Das coisas que gosto..

Cores da despedida do sol;
Aroma de flor doce;
Olhar de apaixonado, criança ou velho (sempre tão brilhantes);
Abraço que acolhe;
Formas tocadas por um feixe de luz amarela solar;
Sorrisos sinceros;
Risadas altas numa roda de amigos "sãos";
Estradas sem fim, com meios....;
Campos verdes, floridos, coloridos, morros ou planaltos;
Calor humano no inverno;
Brisa refrescando o ambiente;
Carinho que de semente....

Vira coisas que gosto.
Não dispenso.
Atrai olhar,
Olfato e tato.
Meu sonhar
ainda acordado
mas já tão real..
Que se torna
Realização!

sábado, 5 de junho de 2010

ela ouvia vozes
as vozes amigas sempre por perto
sempre na hora certa
sempre no toque certo e no tom certo
para tocá-la de jeito
desajeitada se ajeita
e nada rejeita
o que lhe foi dado com o coração aberto
por perto

sábado, 29 de maio de 2010

apague a luz

[pintura by Vanessa Komatsu (Pipoca)]

e faz assim:
ao sair
apague a luz

me deixe quieta

não faça muito alarde
a dor já fará muito


e o buraco que deixar
vai semear outra semente.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

quem se atreve a me dizer
que não vale mais tentar...?

pois é..

por isso continuo.

muitas coisas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ditos... pra ouvidos

na rua caminhava pensativa..
num dia chuvoso, frio..
deve ter-lhe escapado uma expressão um tanto desagradável para quem viu..
como para o pretinho velho que acabara de passar..
ele virou em sua direção e disse:
"algum problema, fia?
algum erro?"

de início, compenetrada no seu universo de pensamentos...
não entendeu..
como se decodificando ouviu segundos depois a frase montada em sua cabeça..

"algum problema, fia?
algum erro?"

olhou para trás..
o pretinho velho discutia com um moço sobre.

certeza que era com ela.. não havia mais nenhuma moça por perto..

passou então a matutar sobre a parte do "algum erro"
essa era a questão principal..
será que há?

reticências....

terça-feira, 18 de maio de 2010

exposição

certas situações nunca deveriam ser expostas.
certos pensamentos não deveriam ser revelados
mas como saber qual o certo?
se já fizemos o errado.
cada um interpreta de uma maneira diferente.
o que é certo pra um
pode não ser pra outro..
sendo assim.. como acertar?

domingo, 16 de maio de 2010

late.

ela beijou a tela do seu celular
com todo o amor que possuía..

disse bem baixinho "te desejo toda a sorte do mundo, meu amor"
e esperou que isso tivesse servido para alguma coisa.

desejo de sorte atrasado.
vale?

o que lhe disseram

as vezes me esqueço
quase sempre me esqueço
do que sempre me disseram

pra ser alguém melhor..
e o que é mesmo?

quase sempre me recordo
de coisas que tive..
e por falta de tato, perdi.

sensorialmente falando,
já não sei se as palavras dão conta
do que um dia aprendi...

o que lhe disseram...
um dia
ficou lá.
levo o que me sustenta. o que sustento
o que me alimenta a alma, o corpo, a mente

quinta-feira, 13 de maio de 2010

porque eu concordo com ele.. "tio" Bert

"Queria poder ter feito tudo aquilo que me deu vontade um dia. Ter vivido, quem sabe, na era Medieval. Nem que por um dia. Queria ter vivido uma história de filme, ser o personagem principal. Ter me apaixonado pela pessoa errada, para aprender a amar melhor a pessoa certa. Queria ter sido mais tolerante, paciente nas horas em que precisei sê-lo, mas não fui. Ter sonhado e realizado o que me foi da vontade. Ter contado minhas histórias num livro, e ser o único a saber de minha existência. Como num diário, tudo que fiz, quis e pensei. Todas as experiências, inclusive as que deixei de tomar parte. Ter falado nas horas em que senti que nem tudo estava certo. Não que eu fosse, necessariamente, o dono da verdade, mas queria ter posto minha opinião em debate. Ter me testado mais, conhecer melhor meus limites, para que pudesse ultrapassá-los, pois isso sempre foi possível. Se houve algo nunca superado nesse mundo, é devido a não ter tido alguém com a ousadia necessária para fazê-lo. Nunca nada foi imbatível. Se foi, foi mentiroso. Queria poder voar, como pássaro, por um dia. Queria que todos os meus desejos se tornassem realidade, que distâncias grandes não fossem problema algum. Mas sou paradoxal, porque queria mesmo não ter vivido tudo isso, para que pudesse querer tudo e ter saudades depois. Queria os problemas longe, por ter medo de enfrentá-los, mas queria vivenciá-los, para poder dizer que os venci. Queria ter nascido sem jeito algum para qualquer coisa, para poder pensar que estou onde estou simplesmente por merecer, e não por ter sido fácil, de certa forma, para mim. Queria ter fracassado mais, para dizer que lutei por uma vida melhor. Queria ter sido menos egoísta, pensado mais nos outros do que em mim mesmo. Ter sido mais humilde, quem sabe até mais orgulhoso dos outros, pelas conquistas deles. Queria poder nunca ter errado, mas ter errado para poder assumir o erro e admitir minha indesejada, porém necessária imperfeição, pois sem ela, nunca poderia ter feito por merecer. Ter dito que valeu a pena, que a vida teve graça, teve emoção e raça, e coração. Ter pensado que as rimas que fiz não foram em vão, tanto em causa quanto em consequência. Ter escrito histórias nunca antes imaginadas, músicas únicas, ter sido dono de poesia inigualável. Para que pudesse ter levado meus sonhos, pensamentos e vivências ao mundo todo, e fazê-lo girar em torno daquilo em que acreditava, poder ter sido, em parte, o dono do mundo. Mas virando mais essa página da vida, hoje posso dizer: sou feliz com tudo o que tenho, sou, e vivo. Hoje desejo, sim, ainda, as coisas de ontem, mas com uma diferença: tenho consciência, ainda que vaga, do que pode ou não ser feito, vivido ou simplesmente sonhado. Posso fazer hoje muito mais do que ontem. A cada dia, uma renovação. A todo momento, uma constante mudança. Metamorfoses sutis por cada situação, que pode ter simplesmente sido uma pequena frase, ou até mesmo um olhar, ou pode ser uma vida inteira. Hoje lembro muito sobre ontem. Talvez até não devesse lembrar tanto, talvez lembre pouco demais. Quem sabe eu pense demais, mas isso hoje é parte de mim, senão meu todo. Porque sou feito de todos, uma síntese de inteiros, mas uma coisa só. Um conjunto de mim mesmos, formando um eu apenas. Eu. Um simples monossílabo de duas letras, mas que muito significa. Pois para cada um, tem um significado próprio, Uma simples complexidade constante, que pouco pode falar, mas sempre tem muito a dizer. E assim, página a página, temos uma história de vida."


http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=4698299624069474985

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vai dormir pra lembrar

[só uma frase que gostei de dizer ^~]

domingo, 9 de maio de 2010

"Quando foi a última vez que vc fez algo pela primeira vez?"(tirei desta coluna http://is.gd/c1RVW)"]


copiei do perfil de um amigo no orkut.. ^~



sexta-feira, 30 de abril de 2010

o que ela dizia.. e o que acontecia

ela dizia ser por pouco tempo..

e assim se passaram anos..

essa distância

quando teve a oportunidade pensou: "posso fazer isso mais tarde"
e no entanto, jamais teve essa mesma oportunidade..
por falta de dinheiro
ora por falta de tempo..
por falta de vontade..
ora por falta de companhia..

a cada passo se distanciava do que um dia foi o que ela mais queria.

até se lembrar.
pegou as malas e foi viajar

sozinha.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

nunca iguais

quando a flor foi abandonada
em seu lindo vasinho..
e a flor pode ser tantas coisas..

perdemos..
constantemente
mas outras brotam...
nunca iguais..

sexta-feira, 23 de abril de 2010

desdentada..

Ela dizia que não precisaria chorar em seu enterro
Pois deixava a vida sem "sôdade"..
Teve por pai o desterro
Por mãe a infelicidade..
Seu pai chegou e lhe disse: "Não há de ter um amor"
Sua mãe veio e lhe notou um colar feito de dor..
Que o tatu prepare a cova
dos seus dentes desdentados..


E quando percebeu
Despertou.

Dos desgraçados sonhos que tinha
Durante suas tardes já cansadas..
Pescando, sua cabeça balançando nos trancos do "busão"
Seu marido a esperava em casa..
Sua filha já precisando sozinha em casa fazendo sei lá o que..
Pouco se importava também..
E o caminho prosseguia
sem mais pensamentos.

Descansar.
Des
cansar
ar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Bloquinho" de anotações

Da exposição do Andy Warhol:

"São os filmes, desde que eles foram inventados, que têm realmente conduzido as coisas na América. Eles mostram o que devemos fazer, como fazê-lo, quando, como se sentir sobre o que fizemos e como aparentar aquilo que sentimos." by Andy Warhol

sexta-feira, 12 de março de 2010

DEBANDADA

[Foto: Vanessa Komatsu]

Colcha de retalhos gigante..
Construida coletivamente..
pelo Coletivo Manada e convidados.
Luvas para senrorial de hoje!
Delicinha de participar..

quinta-feira, 11 de março de 2010

Itau cultural..

atividades pra hoje, sexta and sábado...

correria boa, meodeosinho bom!

sábado, 6 de março de 2010

Evgen Bavcar


"O problema do olhar ferido leva-me a falar tanto dos cegos como dos deficientes de visão; eles constituem, contudo, o único grupo capaz de olhar em linha reta nos olhos do sol.

Por esta aproximação do objeto visto, suas vistas feridas evocam a frase de Plotino: "Se o olho humano não tivesse algo de solar, não poderia perceber o sol.

Na relação amorosa que mantêm, o olho não desempenha o papel de órgão da distância, o de órgão da proximidade, na medida em que é olhar aproximado, isto é, toque.

O deus grego do amor, Eros, é cego, e Psique torna-se, refletido pelo calor do corpo, o sol escondido de sua noite de amor.”