sexta-feira, 3 de outubro de 2008







Uma senhora, já em cadeira de rodas... Tinha sua pele enrugada e morena, cabelos curtos por praticidade... Dependendo de sua filha já adulta para "passear"..
Encontra-se com várias pessoas que conheceu no seu recente passado.. mas não se recorda direito de onde as conhece, como as conheceu...
Não sabe se conhece, ou se desconhece..
Seus pontos de interrogação, suas falhas na memória a entristece por vezes..
A simpatia das pessoas ao recebê-la é imensa, mas comparada ao desprezo por estar debilitada e com a expressão de "velha" e "debilitada" não é tão grande assim...
Certas pessoas nem a percebem num canto da sala retangular, bem no fundo, quietinha... escutando.. observando.. registrando ainda poucos momentos, por poucos momentos... Se sente só..
Sob uma luz verde se faz presente um silêncio e o rádio começa a rodar o cd com as mensagens do dia... Lições de moral... Mensagens de amizade, de amor...
O silêncio somado às mensagens a tocam.. e a faz chorar...
Lágrimas percorrem seu já velho rosto...
Sua filha lhe enxuga as lágrimas que escorrem do lado externo de seu corpo...
Uma garota ao longe observando tudo..
Já havia cumprimentado-a....
Lá prega-se a lei do silêncio... Não dá pra ficar conversando...
A garota já havia lhe tocado os ombros com carinho e lhe sorrido com alegria e respeito..
Ela conhecia a senhorinha fazia anos já... A senhorinha havia visto a moça crescer...
E a mocinha havia visto a senhorinha envelhecer, a tristeza tomar conta de suas expressões, o brilho dos olhos ainda ficar meio opaco... mas ainda trazer aquele pingo de alegria ao sorrir docemente...
A senhora foi embora.. Levada pela filha...
A mocinha foi se despedir... Deu-lhe um beijo na testa carinhosamente e se despediu..
Recebeu um agradecimento da filha.. como que pra retribuir o carinho dado de coração...
As senhoras se foram.. e a mocinha ficou...
Queria ter feito mais... mas estava atarefada demais...
Podia ser a última vez que a veria...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pra frente pra trás



Oras, memórias servem pra quê?!
Escrever. Me restam as horas vagas
porque vagas são as lembranças
e presente o meu recente passado...

caminhando pra frente revejo o que já vi...
lembro tão reais que ilusoriamente retratam ideais
ou piores ou melhores do que realmente foram pra mim
como se acontecessem de novo e a todo instante

nunca começo do começo
porque começaram por mim
por ME formarem antes da escolha própria
a audição as vezes atrapalha

o sorriso não se espalha mais
tem que esfregar o rosto pra descansar das faltas
da saudade que bate no peito de madrugada
acordo procurando um corpo quente ao lado

mas fria é a espera
e frio é o tempo dentro e fora da janela do quarto...
nos pensamentos dispersos, tristes. Imersa em ruídos.